quinta-feira, julho 27, 2006
terça-feira, julho 25, 2006
pobre carnaval
Serpentinas cortadas por cinzas
Confetes jogados num canto
Fantasias em preto e branco
Confetes jogados num canto
Fantasias em preto e branco
Roberta Valentim
quarta-feira, julho 19, 2006
O sal, O amor, A revelação.
"Lembrei-me de ti, quando beijara teu rosto de homem, devagar, devagar beijara, e quando chegara o momento de beijar teus olhos - lembrei-me de que então eu havia sentido o sal na minha boca, e que o sal de lágrimas nos teus olhos era o meu amor por ti. Mas, o que mais me havia ligado em susto de amor, fora, no fundo do fundo do sal, tua substância insossa e inocente e infantil: ao meu beijo tua vida mais profundamente insípida me era dada, e beijar teu rosto era insosso e ocupado trabalho paciente de amor, era mulher tecendo um homem, assim como me havias tecido, neutro artesanato de vida."
Clarice Lispector
A Paixão Segundo G.H.
...
Para mim A Paixão Segundo G.H. é a belaza e a inquietude profunda do desabrochar do ser.
Clarice Lispector
A Paixão Segundo G.H.
...
Para mim A Paixão Segundo G.H. é a belaza e a inquietude profunda do desabrochar do ser.
Roberta Valentim
segunda-feira, julho 17, 2006
A voz que é do samba.
O bonde do Dom
(Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte)
Novo dia, sigo pensando em você
Fico tão leve que não levo padecer
Trabalho em samba e não posso reclamar
Vivo cantando só para te tocar
Todo dia, vivo pensando em casar
Juntar as rimas como um pobre popular
Subi na vida com você em meu altar
Sigo tocando só para te cantar
O Bonde do Dom que me leva
Os anjos que me carregam
Os automóveis que me cercam
Os santos que me projetam
Nas asas do bem desse mundo
Carrego um quintal lá no fundo
A água do mar me bebe
A sede de ti prossegue
Música do novo Álbum de Marisa Monte
Universo ao Meu redor.
...
deixando o samba falar ao pé do ouvido.
(Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte)
Novo dia, sigo pensando em você
Fico tão leve que não levo padecer
Trabalho em samba e não posso reclamar
Vivo cantando só para te tocar
Todo dia, vivo pensando em casar
Juntar as rimas como um pobre popular
Subi na vida com você em meu altar
Sigo tocando só para te cantar
O Bonde do Dom que me leva
Os anjos que me carregam
Os automóveis que me cercam
Os santos que me projetam
Nas asas do bem desse mundo
Carrego um quintal lá no fundo
A água do mar me bebe
A sede de ti prossegue
Música do novo Álbum de Marisa Monte
Universo ao Meu redor.
...
deixando o samba falar ao pé do ouvido.
quinta-feira, julho 13, 2006
Desejo Humano
O desejo que borbulha
Queimando os lençóis
Tem data e hora marcada
Pra nascer e morrer.
O problema é que ele,
Nasce,
Morre,
E não tem sepultamento.
Roberta Valentim
quarta-feira, julho 12, 2006
O outro, lado.
sexta-feira, julho 07, 2006
"A História de Lily Braun"

Como num romance
O homem dos meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom
Ele me comia
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz
E voltou
Me ofereceu um drinque
Me chamou de anjo azul
Minha visão
Foi desde então ficando flou
Como no cinema
Me mandava às vezes
Uma rosa e um poema
Foco de luz
Eu, feito uma gema
Me desmilingüindo toda
Ao som do blues
Abusou do scotch
Disse que meu corpo
Era só dele aquela noite
Eu disse please
Xale no decote
Disparei com as faces
Rubras e febris
E voltou
No derradeiro show
Com dez poemas e um buquê
Eu disse adeus
Já vou com os meus
Numa turnê
Como amar esposa
Disse ele que agora
Só me amava como esposa
Não como star
Me amassou as rosas
Me queimou as fotos
Me beijou no altar
Nunca mais romance
Nunca mais cinema
Nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz
Edu Lobo - Chico Buarque/1982
Para o balé O grande circo místico
quinta-feira, julho 06, 2006
“Você não é mais a mesma”
“Você não é mais a mesma”. Dormi com essa frase na minha cabeça. Formada por poucas palavras, de significados fáceis, mas quando se juntam na frase, parecem se transformar num bicho de sete cabeças.
Então fiquei matutando o que mudou tanto em mim. A grande maioria das pessoas menciona essa frase para minha pessoa, quando não bebo o suficiente, quando não me empolgo o suficiente, quando recuso algo irrecusável ou algo totalmente recusável, que em outros tempos eu não recusaria. Quando não danço quando todos estão sentados ou quando todos estão dançando. Mas, preciso encerar essas descrições, pois do contrário, passarei o texto citando as diversas situações e não chegarei onde eu não sou.
De fato, assumo sem cerimônias ou tristeza, que não sou mais a mesma. Foram tantas coisas, tantas pessoas, tantos acontecimentos, tantos atropelos e atropelamentos, que não sou mais a mesma. Não sou mais tão doce, não sou mais tão ingênua, não sou mais tão insegura, que eu até achava belo a insegurança singela. O que era eu, agora parece não ser. Mas nós não somos sempre não sendo?
Não tenho mais medo da solidão, embora não a queira. Não tenho mais receio do futuro, embora tente encontrá-lo. E não tenho, e parece que essa eu pedir de vez, vergonha na cara. Posso até ficar com as faces rosadas, ai já é uma outra história, mas não deixo de fazer o que minha vida sinaliza para mim.
Em outros tempos, eu seria mais Ego, ou até o Superego, hoje eu sou muito mais Id. E olhe que isso não é bom não, muito mesmo para ser divulgado assim, mas já que estamos falando em não ter vergonha, assim seja. O que é engraço é que até isso parece se encaminhar para um período de reformulações. Não pelo fato de deixar de ser Id, mas por racionalizar essa energia. Acredito que o ser humano quando chega muito perto dele mesmo tem diversos sustos e eu tive o meu, e agora não há mais volta. Uma vez conhecido o outro lado, não tem como esquecê-lo e nem se deve, e nem quero.
A mudança original, umbilical, depois de muitos anos fora do útero, foi essa. Foi o encontro com o outro lado. Mesmo sendo um encontro acanhado, disfarçado, quase um feto, transformou e me tornou em “não mais a mesma”. Tudo isso também não deixa de ser o caminho natural do passar dos anos e da vivência. E não irá parar. Terão vários encontros amadurecidos com o outro lado, vários caminhar desmedidos, várias transformações reveladoras. O que não pode e não vai mudar é o acreditar. O acreditar em mim, no humano, na vida.
Enfim, não sou mais a mesma. Meu corpo mudou, meu cabelo mudou, minhas roupas mudaram, o meu rosto mudou. A armadura também muda. Essa carapaça que temos que carregar diariamente. Em algumas pessoas somente ela se modifica, mas ai já é resignação demais.
Então fiquei matutando o que mudou tanto em mim. A grande maioria das pessoas menciona essa frase para minha pessoa, quando não bebo o suficiente, quando não me empolgo o suficiente, quando recuso algo irrecusável ou algo totalmente recusável, que em outros tempos eu não recusaria. Quando não danço quando todos estão sentados ou quando todos estão dançando. Mas, preciso encerar essas descrições, pois do contrário, passarei o texto citando as diversas situações e não chegarei onde eu não sou.
De fato, assumo sem cerimônias ou tristeza, que não sou mais a mesma. Foram tantas coisas, tantas pessoas, tantos acontecimentos, tantos atropelos e atropelamentos, que não sou mais a mesma. Não sou mais tão doce, não sou mais tão ingênua, não sou mais tão insegura, que eu até achava belo a insegurança singela. O que era eu, agora parece não ser. Mas nós não somos sempre não sendo?
Não tenho mais medo da solidão, embora não a queira. Não tenho mais receio do futuro, embora tente encontrá-lo. E não tenho, e parece que essa eu pedir de vez, vergonha na cara. Posso até ficar com as faces rosadas, ai já é uma outra história, mas não deixo de fazer o que minha vida sinaliza para mim.
Em outros tempos, eu seria mais Ego, ou até o Superego, hoje eu sou muito mais Id. E olhe que isso não é bom não, muito mesmo para ser divulgado assim, mas já que estamos falando em não ter vergonha, assim seja. O que é engraço é que até isso parece se encaminhar para um período de reformulações. Não pelo fato de deixar de ser Id, mas por racionalizar essa energia. Acredito que o ser humano quando chega muito perto dele mesmo tem diversos sustos e eu tive o meu, e agora não há mais volta. Uma vez conhecido o outro lado, não tem como esquecê-lo e nem se deve, e nem quero.
A mudança original, umbilical, depois de muitos anos fora do útero, foi essa. Foi o encontro com o outro lado. Mesmo sendo um encontro acanhado, disfarçado, quase um feto, transformou e me tornou em “não mais a mesma”. Tudo isso também não deixa de ser o caminho natural do passar dos anos e da vivência. E não irá parar. Terão vários encontros amadurecidos com o outro lado, vários caminhar desmedidos, várias transformações reveladoras. O que não pode e não vai mudar é o acreditar. O acreditar em mim, no humano, na vida.
Enfim, não sou mais a mesma. Meu corpo mudou, meu cabelo mudou, minhas roupas mudaram, o meu rosto mudou. A armadura também muda. Essa carapaça que temos que carregar diariamente. Em algumas pessoas somente ela se modifica, mas ai já é resignação demais.
segunda-feira, julho 03, 2006
Saudade
quarta-feira, junho 28, 2006
quarta-feira, junho 21, 2006
Derrubando para levantar
Cada tijolo terá o seu destino
Quebrado de cima pra baixo ou de baixo pra cima
O que importa que fiquem apenas os cacos
Pra facilitar a recolhida
O chão tem que ser firme
Com a terra bem batida
Usando cimento e brita
Pra não criar feridas
Com a base toda pronta
É cuidar dia e noite
Pra ninguém entrar sem permissão
E fazer desapropriação
Juntar pás, bacias e martelos
Instrumentos num canto quieto
Esperando o momento certo
E...
Quando o dia então chegar
Morada nova
Será aqui
O meu lar
Quebrado de cima pra baixo ou de baixo pra cima
O que importa que fiquem apenas os cacos
Pra facilitar a recolhida
O chão tem que ser firme
Com a terra bem batida
Usando cimento e brita
Pra não criar feridas
Com a base toda pronta
É cuidar dia e noite
Pra ninguém entrar sem permissão
E fazer desapropriação
Juntar pás, bacias e martelos
Instrumentos num canto quieto
Esperando o momento certo
E...
Quando o dia então chegar
Morada nova
Será aqui
O meu lar
segunda-feira, junho 12, 2006
namorada
No teu colo derramo meu pranto
Meu canto
Encantos
E desencantos
Na infinita espera
Bebo o doce que derramas
Sentindo o cheiro que emana
Braços de eterna dama
Velhos e novos amantes
Choram desilusões
Procurando nos teus balcões
Verdades estruturantes
Alegrias festejadas
Em noites embriagadas
Cigarro do esquecimento
Nos lençóis
Meu pensamento
Nesse céu que é o meu leito
Tuas cores acalmam o peito
E caminho lado a lado
Com minha vida
Namorada
Meu canto
Encantos
E desencantos
Na infinita espera
Bebo o doce que derramas
Sentindo o cheiro que emana
Braços de eterna dama
Velhos e novos amantes
Choram desilusões
Procurando nos teus balcões
Verdades estruturantes
Alegrias festejadas
Em noites embriagadas
Cigarro do esquecimento
Nos lençóis
Meu pensamento
Nesse céu que é o meu leito
Tuas cores acalmam o peito
E caminho lado a lado
Com minha vida
Namorada
sexta-feira, junho 02, 2006
pequena
O ônibus não vai mais parar
Não há mais ninguém para visitar
A casa que te vi chegar
Não vai mais te guardar
O outro lado a espera
Vai crescer em outras primaveras
E num piscar de olhos
Será a mais linda bela
Os gritos
A voz roca
O choro de manha
A energia
As mordidas
O sorriso
O cheiro
O tímido beijo
Não há palavras
Minha pequena amada
Que possa refletir
A dor de te ver partir
O conforto chegará com o tempo
E não se preocupe, meu bem
Lá pelo mês de dezembro
Vôo o céu e te beijo.
Não há mais ninguém para visitar
A casa que te vi chegar
Não vai mais te guardar
O outro lado a espera
Vai crescer em outras primaveras
E num piscar de olhos
Será a mais linda bela
Os gritos
A voz roca
O choro de manha
A energia
As mordidas
O sorriso
O cheiro
O tímido beijo
Não há palavras
Minha pequena amada
Que possa refletir
A dor de te ver partir
O conforto chegará com o tempo
E não se preocupe, meu bem
Lá pelo mês de dezembro
Vôo o céu e te beijo.
quarta-feira, maio 31, 2006
“Você quer fuder com o mundo....”
Mas não será abrindo as pernas...
Quero fuder com o que há de podre nele, de ruim, pois o mau cheiro já chegou à sala de estar e aos quartos. A casa começou a ficar inabitável.
Não há mais possibilidade de calar os olhos e fechar a boca.
Começaram subindo pelos fios das antenas da Tv aberta ou a cabo. Quando dei por mim, lá estavam eles, roubando, controlando, manipulando. Parecia que éramos marionetes naquelas mãos grandes, estonteantes e deslumbrantes.
Fiquei com medo, acuada, assustada.
Tentei gritar, mas todos estavam hipnotizados pela música da serpente. Então, colocaram o chip da fantasia nas mentes tranqüilas de outros dias. Fantasia de um mundo mergulhado no espectro, nos olhos do perverso.
Vivemos agora num deserto.
Não há mais escolhas por escolhas, apenas escolhas por...porque isso se deve consumir. Não tenham trabalho de pensar, apenas, peguem o que tiver ao seu alcance?!
E assim como são as coisas são as pessoas.
Mataram o romantismo com balas de prata, sem deixar migalhas de pão, para a pobre Maria-João achar o caminho de volta.
Criaram a floresta das sensações.
O sentimento foi deixado na despensa.
O que satisfaz é belo e cultuado, mas, até o dia em que não mais satisfaz. Daí, é deixado de lado, escondido, esquecido, no fundo do poço.
Os sentimentos de outrem não valem mais que um ou dois contos de réis.
E assim o balé das sensações vai imperando.
Hoje desejo isso, aquilo e aquele.
Amanhã não mais.
Fecho a porta.
Olho no espelho
e enxergo apenas
o meu desejo.
Quero fuder com o que há de podre nele, de ruim, pois o mau cheiro já chegou à sala de estar e aos quartos. A casa começou a ficar inabitável.
Não há mais possibilidade de calar os olhos e fechar a boca.
Começaram subindo pelos fios das antenas da Tv aberta ou a cabo. Quando dei por mim, lá estavam eles, roubando, controlando, manipulando. Parecia que éramos marionetes naquelas mãos grandes, estonteantes e deslumbrantes.
Fiquei com medo, acuada, assustada.
Tentei gritar, mas todos estavam hipnotizados pela música da serpente. Então, colocaram o chip da fantasia nas mentes tranqüilas de outros dias. Fantasia de um mundo mergulhado no espectro, nos olhos do perverso.
Vivemos agora num deserto.
Não há mais escolhas por escolhas, apenas escolhas por...porque isso se deve consumir. Não tenham trabalho de pensar, apenas, peguem o que tiver ao seu alcance?!
E assim como são as coisas são as pessoas.
Mataram o romantismo com balas de prata, sem deixar migalhas de pão, para a pobre Maria-João achar o caminho de volta.
Criaram a floresta das sensações.
O sentimento foi deixado na despensa.
O que satisfaz é belo e cultuado, mas, até o dia em que não mais satisfaz. Daí, é deixado de lado, escondido, esquecido, no fundo do poço.
Os sentimentos de outrem não valem mais que um ou dois contos de réis.
E assim o balé das sensações vai imperando.
Hoje desejo isso, aquilo e aquele.
Amanhã não mais.
Fecho a porta.
Olho no espelho
e enxergo apenas
o meu desejo.
quinta-feira, maio 25, 2006
Apenas duas pernas.
"Estou procurando, estou procurando. Estou tentando entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda. Não confio no que me aconteceu. Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo fato de não saber como viver, vivi uma outra? A isso quereria chamar desorganização, e teria a segurança de me aventurar, porque saberia depois para onde voltar: para a organização anterior. A isso prefiro chamar desorganização pois não quero me confirmar no que vivi - na confirmação de mim eu perderia o mundo como eu o tinha, e sei que não tenho capacidade para outro".
(Clarice Lispector. Paixão Segundo G.H)
(Clarice Lispector. Paixão Segundo G.H)
terça-feira, maio 23, 2006
Proezas de Antônio Esaú
Existe um município
No Sertão paraibano
Que mina doido e poeta
Que nem peixe no oceano
É minha querida musa
Terra de Zé de Cazuza
Prata de grande arcano.
Quando lá fui um humano
Que da nascente é tirado
Deus espera c’um pincel
Pra deixar logo marcado
Entre mil, um escolhido
Pincelado e promovido
A ser um iluminado.
Por Deus ele é guiado
Sem muita preocupação
Passando fome ou fartura
Calçado ou de pés no chão
Vai sua vida levando
Bem contente e se engraçando
Com qualquer situação.
Germinou nesse sertão
Um caboclo pincelado
Baixinho e presepeiro
Briguento embriagado
Monta num jegue sem cela
Faz das ruas passarela
Tocando “pife” montado.
Atende quando é chamado
Por Antônio Esaú
Nos dias de feira livre
Visita logo a pitu
Que de ser sóbrio se safa
E quando sai da garrafa
Fica que nem urubu.
Procurando um cururu
Apodrecido no chão
Só que o seu cururu é
Uma doce confusão
E na hora que ele encontra
Dá um rasante se apronta
Pra pegá-la com a mão.
No meio da confusão
Pancadas descomunais
São lançadas por Antônio
Nas suas brigas banais
Que só vejo a terminar
Quando o povo vai chamar
Dois ou três policiais.
Um desses dias banais
Antônio foi algemado
E levado pra cadeia
Pra ficar tranqüilizado
Dormiu na delegacia
Com raiar de outro dia
Foi lhe soltar um soldado.
Viu na parede estampado
Um desenho anormal
De pessoas que retratam
Os policiais local
Que Antônio pintou sem tinta
E segurando na cinta
O guarda ver o mural.
Ao ver, com muita moral
Gritou ligeiro o soldado:
- Que diabo é isso, Antõe?
Antônio disse apressado:
- Antes que desapareça
O que só tem a cabeça
Repare que é o delegado.
Esse restante é soldado
Que o meu dedinho pinto
Depois diga ao delegado
Que assim sem corpo fico
E sem corpo vai ficá.
Nem termino de pintá
Porque merda acabô.
Do poeta Junior do Bode
(Cederei esse reles espaço para as poesias, os causos e as histórias desse jovem poeta, e de tantos outros, apaixonados pelo sertão paraibano)
No Sertão paraibano
Que mina doido e poeta
Que nem peixe no oceano
É minha querida musa
Terra de Zé de Cazuza
Prata de grande arcano.
Quando lá fui um humano
Que da nascente é tirado
Deus espera c’um pincel
Pra deixar logo marcado
Entre mil, um escolhido
Pincelado e promovido
A ser um iluminado.
Por Deus ele é guiado
Sem muita preocupação
Passando fome ou fartura
Calçado ou de pés no chão
Vai sua vida levando
Bem contente e se engraçando
Com qualquer situação.
Germinou nesse sertão
Um caboclo pincelado
Baixinho e presepeiro
Briguento embriagado
Monta num jegue sem cela
Faz das ruas passarela
Tocando “pife” montado.
Atende quando é chamado
Por Antônio Esaú
Nos dias de feira livre
Visita logo a pitu
Que de ser sóbrio se safa
E quando sai da garrafa
Fica que nem urubu.
Procurando um cururu
Apodrecido no chão
Só que o seu cururu é
Uma doce confusão
E na hora que ele encontra
Dá um rasante se apronta
Pra pegá-la com a mão.
No meio da confusão
Pancadas descomunais
São lançadas por Antônio
Nas suas brigas banais
Que só vejo a terminar
Quando o povo vai chamar
Dois ou três policiais.
Um desses dias banais
Antônio foi algemado
E levado pra cadeia
Pra ficar tranqüilizado
Dormiu na delegacia
Com raiar de outro dia
Foi lhe soltar um soldado.
Viu na parede estampado
Um desenho anormal
De pessoas que retratam
Os policiais local
Que Antônio pintou sem tinta
E segurando na cinta
O guarda ver o mural.
Ao ver, com muita moral
Gritou ligeiro o soldado:
- Que diabo é isso, Antõe?
Antônio disse apressado:
- Antes que desapareça
O que só tem a cabeça
Repare que é o delegado.
Esse restante é soldado
Que o meu dedinho pinto
Depois diga ao delegado
Que assim sem corpo fico
E sem corpo vai ficá.
Nem termino de pintá
Porque merda acabô.
Do poeta Junior do Bode
(Cederei esse reles espaço para as poesias, os causos e as histórias desse jovem poeta, e de tantos outros, apaixonados pelo sertão paraibano)
segunda-feira, maio 22, 2006
nascemos e morremos nas palavras
"Eu escrevo sem esperança de que
o que eu escrevo altere qualquer coisa.
Não altera em nada...
Porque no fundo
a gente não está querendo
alterar as coisas.
A gente está querendo
desabrochar
de um modo ou de outro..."
Clarice Lispector.
o que eu escrevo altere qualquer coisa.
Não altera em nada...
Porque no fundo
a gente não está querendo
alterar as coisas.
A gente está querendo
desabrochar
de um modo ou de outro..."
Clarice Lispector.
...quando ele passa...
Toda mulher tem ou já teve um homem que a deixa com a boca seca e o corpo molhado. Aquele sujeito de encontros inusitados, que quando você menos espera...
Pronto, estão os dois, face a face. Pernas bambas, rosto corado e o coração acelerado deixa a fala tremula e os olhos com um certo brilho. Tudo de forma extremamente delicada e disfarçada, quando possível, por belos sorrisos e boas gargalhadas.
Mas, o fato é que só ela sabe o que ele causa ao seu corpo, o que ele deixa quando some na próxima esquina. Parece que o sangue passou por um aquecimento repentino. Dá até para escutar o borbulhar da fervura sanguínea. A carne fica em transe, como se os ossos se transformassem em galhos verdes, que balançam com qualquer vento fraco. O pensamento vai a procura de falas instigantes e cheiros reveladores.
Tudo parece se preparar para o desejado. Inconsciente, ou conscientemente, o corpo, a alma, ou qualquer outra coisa, parece se arrumar para outra morada. Uma morada de horas, dias ou meses, ninguém sabe ao certo. Mas o que é impossível negar, esconder ou até mesmo esquecer, é o que esse rapaz faz ao cruzar o olhar, que muitas por muitas vezes, tenta até desviar.
Pronto, estão os dois, face a face. Pernas bambas, rosto corado e o coração acelerado deixa a fala tremula e os olhos com um certo brilho. Tudo de forma extremamente delicada e disfarçada, quando possível, por belos sorrisos e boas gargalhadas.
Mas, o fato é que só ela sabe o que ele causa ao seu corpo, o que ele deixa quando some na próxima esquina. Parece que o sangue passou por um aquecimento repentino. Dá até para escutar o borbulhar da fervura sanguínea. A carne fica em transe, como se os ossos se transformassem em galhos verdes, que balançam com qualquer vento fraco. O pensamento vai a procura de falas instigantes e cheiros reveladores.
Tudo parece se preparar para o desejado. Inconsciente, ou conscientemente, o corpo, a alma, ou qualquer outra coisa, parece se arrumar para outra morada. Uma morada de horas, dias ou meses, ninguém sabe ao certo. Mas o que é impossível negar, esconder ou até mesmo esquecer, é o que esse rapaz faz ao cruzar o olhar, que muitas por muitas vezes, tenta até desviar.
quarta-feira, maio 17, 2006
segunda-feira, maio 15, 2006
no canto da sala
Corpo seco e ressentido
Buscando respostas
Numa vida sem notas
Num caminhar desmedido
Atropelo de sentimentos
Da infância esquecida
Em copos de bebidas
E gestos impensados
Carência que aflora a alma
Já teve seus dias de glória
Abraço do homem amado
Colo do eterno namorado
Silêncio e retratos
Reforçam o cansaço
Das pernas doloridas
Seguindo a velha trilha
Íntimo impensado
Saindo em desatino
Olhando o pobre destino
Peito desnaturado
Buscando respostas
Numa vida sem notas
Num caminhar desmedido
Atropelo de sentimentos
Da infância esquecida
Em copos de bebidas
E gestos impensados
Carência que aflora a alma
Já teve seus dias de glória
Abraço do homem amado
Colo do eterno namorado
Silêncio e retratos
Reforçam o cansaço
Das pernas doloridas
Seguindo a velha trilha
Íntimo impensado
Saindo em desatino
Olhando o pobre destino
Peito desnaturado
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