quinta-feira, junho 30, 2005
terça-feira, junho 28, 2005
Eitá São João bom!!!
Meu São João foi surpreendente. Interiorano em todos os aspectos, com cheiro do sertão e do mato, com gente feliz e poeta. Todo mundo lá é poeta, impressionante. Conheci o famoso Zé de Cazuza (“quem foram os Eleutas”). Velhinho poeta, tarado e com muita saliva. Outra figura poética que conheci foi Forzinho, velho enxerido também, mas cuspia bem menos que Zé. Brinquei como criança com os meninos que se concentraram na rua para ver o que tava acontecendo no bar de Marluce. Dona Marluce, professora, amiga e dona de bar. Um dos seus alunos cortou o meu coração, pois pediu para vir morar comigo aqui no Recife. Era um monte de menino atrás de mim, e eu morrendo de felicidade por proporcionar momentos de alegria para aquelas crianças carentes de afeto. Fiquei conhecida como a psicóloga-política de Ouro Velho, já que tudo gira em torno da política. O forró fim de feira fez sucesso, todos queriam ver os meninos do Recife tocar. Conheci um monte de Zelito, como dizia Marcello, e fui apresentada a todos como minha noiva. São João maravilhoso, um mistura de simplicidade, riqueza e “doidice”.
segunda-feira, junho 13, 2005
Mais um dia dos namorados a quatro.
O primeiro, ano passado, foi embalado por muita cerveja, tequila, fondue de carne e concurso de dança. Esse ano foi bem mais romântico. Sem pretensão nenhuma de repetir a dose, de última hora organizamos mais um dia dos namorados a quatro. Uma linda mesa oriental, com velas aromatizadas, sushis e um bom vinho. E para iniciar a noite, um brinde ao dia dos namorados, um brinde muito especial aos 22 aninhos de Finha e um brinde aos próximos dias dos namorados a quatro.
e para fazer uma homenagem ao dia 12 de junho, nada melhor do que Vinicuis de Moraes.
Minha namorada
Vinicius de Moraes / Carlos Lyra
"Se você quer ser minha namorada
Ah, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber por quê
Porém, se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo em meu caminho
E talvez o meu caminho seja triste pra você
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos
Os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois"
e para fazer uma homenagem ao dia 12 de junho, nada melhor do que Vinicuis de Moraes.
Minha namorada
Vinicius de Moraes / Carlos Lyra
"Se você quer ser minha namorada
Ah, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber por quê
Porém, se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo em meu caminho
E talvez o meu caminho seja triste pra você
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos
Os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois"
segunda-feira, maio 09, 2005
Você vai? Eu vou. E você? Claro! Não posso perder.
Sábado enquanto almoçassamos na Família Lucco, o programa do Luciano Huck impestava o ar com suas futilidades e apelações.Para completar a "decoração" do programa, o rapper americano Ja Rule fazia seus últimos playbacks, ante de chegar ao Recife. Recordo que comentei se haveria público para esse estilo de rapper. Acho que havia esquecido, que na sociedade massificada a parência conta mais que o conteúdo. O retrato desse breve comentário encontra-se aqui: http://jc.uol.com.br/2005/05/09/not_88675.php
quarta-feira, maio 04, 2005
Exatamente no dia 1º de maio
Enquanto muitos festejavam o “maravilhoso” dia dos trabalhadores, havia duas pessoas que estavam cobertas por sentimentos ambivalentes. Ambas estavam deixando a Veneza Pernambucana. Em circunstâncias distintas, mas que não minimizava o medo visceral da mudança.
Uma delas, acredito, estava contando os minutos para o encontro com o outro Brasil, “solamente” porque seu grande amor-companheiro-marido estava a sua espera há alguns meses. Luanda é o seu destino, uma das pessoas que mais me identifiquei na faculdade e pela qual tenho um carinho incondicional. Não tive o prazer de pronunciar algumas palavras antes da sua partida, mas ela sabe dos meus sentimentos e espero que essa linda e encantadora amiga seja muito feliz em Angola.
A outra pessoa, por quem tenho uma paixão fraterna infindável, foi ao encontro do Planalto Central, não tão bestificado quanto João de Santo Cristo, mas com um belo sonho perto de se concretizar. Esse me deixou um sentimento diferente, uma mistura de felicidade e saudade, com uma pitada de egoísmo. Pois quando temos ao nosso lado pessoas pelas quais declaramos nosso amor, não queremos deixar que as fronteiras estaduais separem nossos corpos. E quando isso acontece, é difícil não saborear o amargo sabor de sentimentos indesejáveis. Mas, utilizo a sublimação para deixar florescer apenas os desejos de felicidades, realizações e amores.
Uma delas, acredito, estava contando os minutos para o encontro com o outro Brasil, “solamente” porque seu grande amor-companheiro-marido estava a sua espera há alguns meses. Luanda é o seu destino, uma das pessoas que mais me identifiquei na faculdade e pela qual tenho um carinho incondicional. Não tive o prazer de pronunciar algumas palavras antes da sua partida, mas ela sabe dos meus sentimentos e espero que essa linda e encantadora amiga seja muito feliz em Angola.
A outra pessoa, por quem tenho uma paixão fraterna infindável, foi ao encontro do Planalto Central, não tão bestificado quanto João de Santo Cristo, mas com um belo sonho perto de se concretizar. Esse me deixou um sentimento diferente, uma mistura de felicidade e saudade, com uma pitada de egoísmo. Pois quando temos ao nosso lado pessoas pelas quais declaramos nosso amor, não queremos deixar que as fronteiras estaduais separem nossos corpos. E quando isso acontece, é difícil não saborear o amargo sabor de sentimentos indesejáveis. Mas, utilizo a sublimação para deixar florescer apenas os desejos de felicidades, realizações e amores.
quinta-feira, abril 28, 2005
Às vezes é preciso cantar
História de uma gata
Enriquez - Bardotti - Chico Buarque/1977
Para o musical infantil Os saltimbancos
"Me alimentaram
Me acariciaram
Me aliciaram
Me acostumaram
O meu mundo era o apartamento
Detefon, almofada e trato
Todo dia filé-mignon
Ou mesmo um bom filé...de gato
Me diziam, todo momento
Fique em casa, não tome vento
Mas é duro ficar na sua
Quando à luz da lua
Tantos gatos pela rua
Toda a noite vão cantando assim
Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás
De manhã eu voltei pra casa
Fui barrada na portaria
Sem filé e sem almofada
Por causa da cantoria
Mas agora o meu dia-a-dia
É no meio da gataria
Pela rua virando lata
Eu sou mais eu, mais gata
Numa louca serenata
Que de noite sai cantando assim
Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás"
Enriquez - Bardotti - Chico Buarque/1977
Para o musical infantil Os saltimbancos
"Me alimentaram
Me acariciaram
Me aliciaram
Me acostumaram
O meu mundo era o apartamento
Detefon, almofada e trato
Todo dia filé-mignon
Ou mesmo um bom filé...de gato
Me diziam, todo momento
Fique em casa, não tome vento
Mas é duro ficar na sua
Quando à luz da lua
Tantos gatos pela rua
Toda a noite vão cantando assim
Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás
De manhã eu voltei pra casa
Fui barrada na portaria
Sem filé e sem almofada
Por causa da cantoria
Mas agora o meu dia-a-dia
É no meio da gataria
Pela rua virando lata
Eu sou mais eu, mais gata
Numa louca serenata
Que de noite sai cantando assim
Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás"
quarta-feira, abril 27, 2005
Gente anêmica e preguiçosa
Suco de beterraba com laranja. Fígado acebolado. Couve-flor. Inhame. Feijão, etc, etc, etc. Tenho consciência, ou melhor, tenho todo cardápio na lateral da minha geladeira, mas a questão é mais complicada que essa, chama-se, preguiça. Preguiça, sim, me desculpem. Mas, chegar em casa, organizar a bagunça, fazer almoço, estudar...é melhor um copo de leite com bolachas e lona. Eu diria que é uma situação inversamente proporcional, quando menos como coisas saudáveis, mais fico indisposta, conseqüentemente, quase nunca faço coisas saudáveis, com exceção do almoço. Estou escrevendo esse diário do anêmico, porque todos do meu trabalho tiraram a semana para regular minha alimentação. Colegas e chefinha, prometo fazer o possível para deixar a preguiça de lado. As farras já são privilégios dos finais de semana, exceto data especiais, o que já é um bom começo, não?! Mas o melhor de toda essa conversa é que hoje terei um jantar maravilhoso.
quinta-feira, abril 14, 2005
Necessidade do olhar
Ah se você soubesse como sua voz me faz bem, como preciso das tuas palavras de carinho e preocupação. A falta que sinto é inevitável, por mais que não me veja vivendo novamente ao teu lado. Sinto falta de tudo que você me proporcionava, desde dos momentos de puro amor até as horas de cobranças. Agora tenho minha casa, minhas contas, minha vida, meus problemas, junto aos seus, é claro, pois eles se ramificam como uma herança indesejável. Mas, por trás de todas essas responsabilidades e irresponsabilidades, ainda sou uma menininha que precisa do seu olhar. Parece que você sabe o momento que mais preciso do seu amor. Preciso deitar no seu colinho, para acalmar minhas angústias, sentir que tudo anda bem, esconder minhas lágrimas e revelar apenas o meu sorriso. Preciso dizer o quanto te amo. Obrigada, minha mãe. Você sempre me surpreende. Amo você.
quarta-feira, abril 13, 2005
E agora?
Igualdade e liberdade, essas foram as promessas de um novo mundo, da modernidade. Mas, cá estamos, consumidos por um abismo de diferenças socio-econômica e de oportunidades,aprisionados no consumismo da corpolatria. A mídia diz o que vestir, o que comer, como ser pai e mãe, e até como ser sexual. Livros de auto-ajuda e adjacentes são os top 10, como se fossem receitas para uma felicidade inatingível. Inatingível é a questão, mas frente a essa impossibilidade de felicidade-receita, ao vazio inexplicável, surge o sofrimento e a falta de esperança quando não se consegue ser ou ter o que querem de nós.
A falta é inerente, mas a não aceitação é infortúnia. Se todos sentissem dor num desejo de não senti-la, mas não, não queremos dor nenhuma, não queremos sentir angústia. Queremos um mundo de novelas, com finais felizes. Queremos remédios para acordar, bebidas para dormir e alguém para consolar.
Queremos uma realidade maquiada para não enfrentar a obscuridade do nosso eu. Queremos e somos alienados nessa sociedade que não enxerga nossa subjeividade, mas apenas o espetáculo. Mas se somos um Zé Ninguém, se não temos um show de Truman? Ou vivemos como Alice no país das maravilhas televisivas ou aceitamos nossa condição e buscamos compreender a essência das nossas angústias, medos e desejos.
A falta é inerente, mas a não aceitação é infortúnia. Se todos sentissem dor num desejo de não senti-la, mas não, não queremos dor nenhuma, não queremos sentir angústia. Queremos um mundo de novelas, com finais felizes. Queremos remédios para acordar, bebidas para dormir e alguém para consolar.
Queremos uma realidade maquiada para não enfrentar a obscuridade do nosso eu. Queremos e somos alienados nessa sociedade que não enxerga nossa subjeividade, mas apenas o espetáculo. Mas se somos um Zé Ninguém, se não temos um show de Truman? Ou vivemos como Alice no país das maravilhas televisivas ou aceitamos nossa condição e buscamos compreender a essência das nossas angústias, medos e desejos.
quarta-feira, abril 06, 2005
Minha boa e velha Jaqueira
Tinha esquecido como é bom caminhar e correr entre as árvores da jaqueira. Como me sinto bem quando estou sozinha com meus pensamentos. Embora várias pessoas caminhassem e corressem ao meu lado, nada tirava minha atenção em mim mesma. Nada de narcisismo, apenas um mergulho nos meus sentimentos. Entre uma respirada profunda e outra esse mergulho era mais intenso. É impressionante como o mais diversos assuntos passam por minha cabeça, do mais simples ao mais complexo e questionador. Quando queria descansar minha mente desse turbulento encontro, ficava observando as pessoas e imaginando os pensamentos de cada uma. Porém, não conseguia me concentrar nelas, pois meu “eu” me chamava a todo tempo para conversar. O cheiro do verde, o vento e até o calor do meu corpo me ajudava a estabelecer esse monólogo construtivo e inquietante. Realmente preciso fazer isso mais vezes. E se alguém quiser me acompanhar, vou adorar. Só não me leve a mal se eu ficar muito tempo calada, pois tenho asma e não posso falar e correr ao mesmo tempo.
quinta-feira, fevereiro 17, 2005
Conversas de Cozinha
As melhores conversas com a minha família foram na cozinha de minha casa ou na da minha tia Rejane. Em volta de uma mesa redonda ou quadrada, era nesse lugar que ficávamos horas a conversar.
Hoje, minha cozinha mal tem uma meia mesa, sua capacidade máxima: duas pessoas. Mas mesmo assim, boas conversas são tidas lá. Entre fazer um lanche e preparar o almoço do outro dia, falamos sobre o que nos aflige e sobre a dita pós-modernidade.
Assunto do dia: A industria Cultura. Rainha absoluta que modela seus “bonequinhos consumistas” que os constrói de forma homogenia para atender ao mercado do consumo. Esse lance é tão sério, organizado e orquestrado, que seus fantoches (a gente) acreditam que esses valores pertencem a eles próprios. Uma parafernália ideológica vai agindo desde do inconsciente psíquico até as consciências individuais. E assim, internalizando e assimilando inconscientemente ideologias, o consentimento individual vai se constituindo.
A sofisticação tecnológica do Marketing, do como-ser-pessoa, que a mídia injeta em todos nós é o coringa dessa homogeneização da individualidade. Nossa subjetividade foi estandartizada, somo mais um boneco nessa grande fábrica de consumo.
Em meio a tudo isso, a família vem perdendo o lugar privilegiado dos processos identificatórios, esse locus não a pertence mais. A autoridade paterna vem sendo esvaziada. O narcisismo é inflado pelo consumo. A libido se concentra no presente, deixando de lado o passado vincular e com isso a falta de comprometimento com o outro. “O meu desejo é o que importa, e você é apenas um objeto para esse desejo”.
Isso pode parecer um absurdo para algumas pessoas. Mas, observem os adolescentes. Quais são os valores que eles levam nas suas “cabecinhas”? Olhem os adultos que só pensam/pensamos em beneficio próprio. Em ter, em parecer ter, deixando de lado o ser, a subjetividade. Atualmente, o outro é um mero semblante, onde não podemos mais nos identificar a partir da diferença, para saber quem realmente somos. Estamos numa sociedade de iguais, onde não há respeito pela alteridade e muito menos pelo humano.
“É uma violência contra o humano dos homens”.
Hoje, minha cozinha mal tem uma meia mesa, sua capacidade máxima: duas pessoas. Mas mesmo assim, boas conversas são tidas lá. Entre fazer um lanche e preparar o almoço do outro dia, falamos sobre o que nos aflige e sobre a dita pós-modernidade.
Assunto do dia: A industria Cultura. Rainha absoluta que modela seus “bonequinhos consumistas” que os constrói de forma homogenia para atender ao mercado do consumo. Esse lance é tão sério, organizado e orquestrado, que seus fantoches (a gente) acreditam que esses valores pertencem a eles próprios. Uma parafernália ideológica vai agindo desde do inconsciente psíquico até as consciências individuais. E assim, internalizando e assimilando inconscientemente ideologias, o consentimento individual vai se constituindo.
A sofisticação tecnológica do Marketing, do como-ser-pessoa, que a mídia injeta em todos nós é o coringa dessa homogeneização da individualidade. Nossa subjetividade foi estandartizada, somo mais um boneco nessa grande fábrica de consumo.
Em meio a tudo isso, a família vem perdendo o lugar privilegiado dos processos identificatórios, esse locus não a pertence mais. A autoridade paterna vem sendo esvaziada. O narcisismo é inflado pelo consumo. A libido se concentra no presente, deixando de lado o passado vincular e com isso a falta de comprometimento com o outro. “O meu desejo é o que importa, e você é apenas um objeto para esse desejo”.
Isso pode parecer um absurdo para algumas pessoas. Mas, observem os adolescentes. Quais são os valores que eles levam nas suas “cabecinhas”? Olhem os adultos que só pensam/pensamos em beneficio próprio. Em ter, em parecer ter, deixando de lado o ser, a subjetividade. Atualmente, o outro é um mero semblante, onde não podemos mais nos identificar a partir da diferença, para saber quem realmente somos. Estamos numa sociedade de iguais, onde não há respeito pela alteridade e muito menos pelo humano.
“É uma violência contra o humano dos homens”.
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
passageira
Minha paixão pelo mundo dos blogs foi um tanto passageira. As circunstâncias do meu trabalho não ajudaram a recuperar os sentimos e vontades por vezes perdidas. Mas, hoje senti aquele saudade. Saudade das palavras, dos comentários, dos outros blogs, das entrelinhas. Então, inspirada nas paixões passageiras dos carnavais, que todo ano deixa no ar aqueles velhos sentimentos, resolvir fazer um carinho ou causar um desconforto ao meu blog. Resolvir escrever essas poucas linhas para fazer uma homenagem as paixões, aos amores, aos carnavais.
quarta-feira, dezembro 29, 2004
quinta-feira, dezembro 16, 2004
A pós-modernidade ou a Contemporaneidade
Vivemos numa sociedade perversa, numa sociedade onde prevalece o discurso do: “eu sei, mas mesmo assim...”. Uma sociedade que se ausenta da culpa e que se utiliza da vergonha como forma de viver. Na modernidade a “personalidade da sociedade” era dita neurótica, pois além de saber da existência de uma lei que interdita, que coloca limites e regras, existia a culpa quando essa lei era transgredida. O desejo “proibido” gerava uma culpabilidade e um arrependimento verdadeiro, que na maioria das vezes só em pensar em algo, já despertava o sentimento de culpa. As transgressões, portanto, poderia acontecer de fato ou ficar no imaginário, porém o sentimento de culpa estava presente em ambas situações.
Hoje em dia, no entanto, a culpa não existe mais, sabe-se da existência da lei, mas mesmo assim a transgride, e no lugar da culpa é a vergonha que impera. E a vergonha só existe quando a contravenção é descoberta, quando a possibilidade de uma punição, quando a conseqüência de tal ato pode vir a atrapalhar “os planos” dessas pessoas. Adolescente que não possui sentimento de culpa por agir de encontro ao instituído, não um instituído ruim, que oprime as mudanças ou a criatividade, mas um instituído que diz que o respeito ao próximo tem que existir. Passam por cima de sentimentos, de valores e não sentem o menor remoço por agir dessa forma. Se forem descobertos, sentem vergonha, nada além disso, e ficam “tristes” pelas possíveis conseqüências, se essas existirem. Não é privilégio dos adolescentes, nem privilégio de ninguém, o fato é que o mundo como se apresenta hoje, destrói a subjetividade, valoriza a lógica narcísica e transforma a culpa numa simples vergonha.
Hoje em dia, no entanto, a culpa não existe mais, sabe-se da existência da lei, mas mesmo assim a transgride, e no lugar da culpa é a vergonha que impera. E a vergonha só existe quando a contravenção é descoberta, quando a possibilidade de uma punição, quando a conseqüência de tal ato pode vir a atrapalhar “os planos” dessas pessoas. Adolescente que não possui sentimento de culpa por agir de encontro ao instituído, não um instituído ruim, que oprime as mudanças ou a criatividade, mas um instituído que diz que o respeito ao próximo tem que existir. Passam por cima de sentimentos, de valores e não sentem o menor remoço por agir dessa forma. Se forem descobertos, sentem vergonha, nada além disso, e ficam “tristes” pelas possíveis conseqüências, se essas existirem. Não é privilégio dos adolescentes, nem privilégio de ninguém, o fato é que o mundo como se apresenta hoje, destrói a subjetividade, valoriza a lógica narcísica e transforma a culpa numa simples vergonha.
quarta-feira, novembro 24, 2004
Faz tempo que não sou Janice
Não sei os lugares por onde ele anda. Por quantos amores anda sofrendo ou se anda feliz com um só. Um dia desses ele me ligou, disse que tava numa cidade pequena, com poucos habitantes e muito fria, não de temperatura, mas de sentimentos. Fiquei contente ao ouvir sua voz, mas ao mesmo tempo triste, pois tive a impressão que não veria meu velho amigo, nem tão cedo. Tentei não falar sobre esse meu sentimento, mas como sempre, não consegui. Falei do seu afastamento, falei que não precisava ir tão longe. “As pessoas sentem saudade!”, essas foram minhas últimas palavras, se não me falha a memória. Fui até a praça em frente a minha casa e tentei reviver o nosso último encontro. Tentei reviver um tempo que já não volta mais. Tentei ser novamente, Jane, simplesmente, Janice.
quinta-feira, novembro 11, 2004
Inconsciente
"O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo"
Definir o inconsciente através da música....só Chico Buarque mesmo.
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo"
Definir o inconsciente através da música....só Chico Buarque mesmo.
quarta-feira, novembro 10, 2004
Fotografias
Nostalgia.
Passado, passado.
Passado, presente.
Criança.
Adolescente.
Amigos antigos.
Novos amigos.
Pessoas que dificilmente encontrarei novamente.
Outras que terei o imenso prazer de rever.
Amigos que fazem muita falta.
Ex-namorados que nem sei se estão vivos, felizes ou casados.
Momentos que sempre vão ficar na memória.
Memórias que sempre vão ficar na história.
Fotos sinistras.
Fotos divertidas.
Fotos de sorrisos.
Fotos que deveriam ter sido tiradas.
Outras que nem tanto.
Fotos convencionais.
Fotos digitais.
Adoro fotografias.
Adoro minhas lembranças.
Adoro minhas caixinhas.
Por vezes, lágrimas derramadas.Por hora, sorrisos estampados.
Passado, passado.
Passado, presente.
Criança.
Adolescente.
Amigos antigos.
Novos amigos.
Pessoas que dificilmente encontrarei novamente.
Outras que terei o imenso prazer de rever.
Amigos que fazem muita falta.
Ex-namorados que nem sei se estão vivos, felizes ou casados.
Momentos que sempre vão ficar na memória.
Memórias que sempre vão ficar na história.
Fotos sinistras.
Fotos divertidas.
Fotos de sorrisos.
Fotos que deveriam ter sido tiradas.
Outras que nem tanto.
Fotos convencionais.
Fotos digitais.
Adoro fotografias.
Adoro minhas lembranças.
Adoro minhas caixinhas.
Por vezes, lágrimas derramadas.Por hora, sorrisos estampados.
quinta-feira, novembro 04, 2004
Não sublime tanto, nem recalque por demais
Nossas pulsões (conceito de fronteira entre corpo e mente) sofrem diversos destinos, entre eles temos a sublimação e o recalque. Ambos são mecanismos de defesa, no entanto, enquanto um se responsabiliza pelo interdito das pulsões, o outro fica responsável por canaliza-las para o mundo, transformando essas pulsões em comportamento socialmente aceitos. No entanto, não podemos subliminar eternamente nossas pulsões, não podemos satisfazer-las sempre de forma indireta, sempre as canalizando para o mundo social, pois essa satisfação indireta, ao extremo, pode levar a pulsão de morte.
Quando falamos em recalque, estamos falando da separação da idéia do afeto. O afeto dá o valo afetivo as idéias, as quais tornam-se inconscientes. O recalque é um dique que não permite que o nosso psiquismo seja inundando. Recalcamos as idéias, elas sim se tornam inconscientes, por sua vez, o afeto fica circulando no nosso psiquismo podendo a qualquer momento vir à tona. Por que muitas vezes sentimos algo que não condiz, de jeito nenhum, com o que estamos vivendo? Tenho certeza que todos já sentiram algo desse tipo. Já sentiu uma angustia incontrolável do nada? Um choro compulsivo sem motivo aparente? Pois é, isso ocorre porque o afeto não corresponde à situação atual. O afeto que foi dissociado da sua idéia inicial, a qual foi recalcada, fica circulando até emergir em uma situação qualquer da nossa vida
Quando falamos em recalque, estamos falando da separação da idéia do afeto. O afeto dá o valo afetivo as idéias, as quais tornam-se inconscientes. O recalque é um dique que não permite que o nosso psiquismo seja inundando. Recalcamos as idéias, elas sim se tornam inconscientes, por sua vez, o afeto fica circulando no nosso psiquismo podendo a qualquer momento vir à tona. Por que muitas vezes sentimos algo que não condiz, de jeito nenhum, com o que estamos vivendo? Tenho certeza que todos já sentiram algo desse tipo. Já sentiu uma angustia incontrolável do nada? Um choro compulsivo sem motivo aparente? Pois é, isso ocorre porque o afeto não corresponde à situação atual. O afeto que foi dissociado da sua idéia inicial, a qual foi recalcada, fica circulando até emergir em uma situação qualquer da nossa vida
sexta-feira, outubro 29, 2004
Era pra rir?
Cuidados com suas palavras, meu caro. Você pode até estar brincando, mas brincadeira que toca nas nossas “feridas” torna-se brincadeira de mau gosto. Se sua condição financeira é melhor que a minha não quer dizer que minha capacidade é inferior a sua. Salário, nem sempre, está proporcionalmente ligado à potencialidade individual. No seu caso pode até estar, mas não me venha com seu sarcasmo. Você não sabe o que me dói e muito menos das minhas frustrações, portanto, guarde para você ou para pessoas igualmente insensíveis, essas brincadeirinhas sem graça. E um dia irei dizer: cheguei onde cheguei, porque fiquei surda e cega diante de pessoas como você.
sábado, outubro 23, 2004
A busca do não dito
Queria escrever algo, mas as palavras fogem da minha mente. sinto-me como um pescador pescando algo que não quer aparecer. Sinto-me como pescando o não pescar. O que não é dito me descreve mais que minhas inumeras palavras refletidas, mais que o meu próprio entendimento do não entender. Metáforas, são elas que guiam minha simples e passageira existência.
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