quinta-feira, julho 24, 2008

e tudo tem seu lado bom

O eco da casa bateu impiedosamente nos ombros daquela menina.

Por horas ela ficou imóvel, perplexa. Não sabia como lidar com tamanha presença.

Uma presença estranha, mal quista, mas que ela teria que conviver por algum tempo.

Deitou no chão frio e deixou o eco ocupar todos os cantos da casa.

Após horas encolhida no canto da sala, levantou-se, fitou os olhos do eco, engoliu o medo e disse:

“Se vamos conviver nesse mesmo teto precisamos entrar em comum acordo.”

O eco desconfiado indagou: “Como?”

A menina com um meio sorriso no rosto respondeu:

“Você preenche meus dias com sua presença e eu os seus com minhas histórias”

O eco, que sempre fora solitário, aceitou o acordo e transformou-se num excelente ouvinte.

sábado, julho 19, 2008

liberdade poética

Não vai, meu bem
me dizer
Que já não quer
o meu querer.
Eu que só te dei
O de melhor
Do meu viver.
Mas não vou pedir
E implorar para ficares
Só lamento que
Esse amor
Assim se acabe.
Os versos declarados
Meus dias
Nos teus passos
Se foram
Ficando apenas
O meu rastro
E o teu retrato.

Roberta Valentim

sexta-feira, julho 11, 2008

c o po

Mesmo os copos remendados são capazes de acolher as novas águas trazidas pela vida.
E, se algumas gotas saírem pelas rachaduras colocamos um pouco mais de amor.
Com o tempo eles serão restaurados por completo.
Ficarão resistentes e com uma água boa danada de se beber.

sempre estive aqui.

Escrever é um direito de todos.
Escrever coisas interessantes é para poucos.
Mas aqui volto a digitar palavras despretensiosas.
Não estou entre os poucos, mas tenho esse direito.
Apenas uma vontade de deixar gravado sentimentos e pensamentos (alguns) que levaria nem deus sabe para onde.

quarta-feira, março 19, 2008

mais um foco

http://borelvalentim.blogspot.com/

quinta-feira, março 06, 2008

A maior liberdade que o homem pode ter é buscar aquilo que o deixa vivo.


ao amigo que sente o vento da liberdade soprar suavemente aos seus ouvidos.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

minuti'


minuti é o resultado de um projeto idealizado por Roberta Valentim e Evandro Borel de reunir artistas plásticos, designers, ilustradores e diretores de arte para traduzirem o tempo em ilustrações expostas em relógios de parede. O foco é misturar arte e utilidade, transformando um objeto do cotidiano em expressão artística.

Confiram as peças no
http://www.flickr.com/photos/minuti

Em breve o site www.minuti.com.br

contato@minuti.com.br

terça-feira, dezembro 04, 2007

"A minha única salvação é a alegria.”

Água Viva - Clarice Lispector

segunda-feira, novembro 26, 2007

Querovoceassimbempertinhodemim.
Acordou atrasada.
Olhou para o lado,

sorriu
e saiu cantarolando
músicas infantis.


Roberta Valentim

quinta-feira, novembro 01, 2007

Reencontro

Colocara o vestido com leveza de mãos infantis. Caminhou delicadamente sobre o chão frio, tateando o ar para não esbarrar nas esculturas espalhadas pela sala. Procurou o cigarro com mãos tremulas de desejo e o ascendeu escondida nos fundos da casa, para não deixar a fumaça retirar o cheio da paixão que ficara no quarto. Seu homem, assim o sentira, dormia profundamente, após um gozo de vida que beirava a morte, enquanto ela revivia cada cena daquela noite.
Até então, ela nunca conseguira deixar os espasmos entre suas pernas se prolongarem após a cama. Sempre morriam nos lençóis.
Surpreendida pelo seu corpo e desejo, a cada trago tinha a sensação que poderia morrer ali, feliz.
Risos silenciosos saíram pela sua face, invadindo todos os cômodos da casa e se misturando a uma leve vontade de chorar. O choro da [re]descoberta, do despertar, do [re]encontro.
[Re]encontro com a felicidade, que parecia ter sido exilada daquele peito, sem sinal de regresso. Felicidade ao ver sua cama acolhendo o homem desejado. Por saber que poderá dormir e acordar sem a impressão que ele desaparecerá no meio da madrugada, deixando apenas cheiros e desilusões. Felicidade por sentir prazer e não arrependimento após a entrega.
Felicidade em acreditar que aquela noite poderá ser dias. Por está fora da cama e mesmo assim se ver ao lado dele. Felicidade por, mesmo tendo a certeza do futuro incerto, vivenciar o presente sem os medos do passado. Felicidade, ainda maior, por ela. Por ter voltado a sonhar acordada.

Roberta Valentim

quinta-feira, outubro 25, 2007

Saiu sozinha, levando na bolsa seus medos e defeitos.
Bebeu seus medos com gelo, se aquecendo com os defeitos.


Roberta Valentim

terça-feira, outubro 16, 2007

A noite passou levando o que um dia inseguro plantou.
A aurora estampou um sorriso nos olhos dela.
E assim como os dias e noites, ela ora escurece, ora esclarece.
Assim como o crescer, ora é menina, ora é mulher.




Roberta Valentim

quinta-feira, outubro 11, 2007

Lançando a coletânea de haikais, na sexta-feira 12 de outubro às 17h no Stand da Prefeitura do Recife, na Bienal do Livro.


terça-feira, outubro 02, 2007

Cacaso, o poeta.

"Ah!
Ah, se pelo menos o pensamento não sangrasse!

Ah, se pelo menos o coração não tivesse memória!
Como seria menos linda e mais suave minha história"

(Cacaso)

quarta-feira, setembro 26, 2007

um pouco disso, um pouco daquilo.

Delivery.
De Tati Bernardi.

Tati Bernardi é cronista do Blônicas e autora do livro "A mulher que não prestava".
Alimento-me de sonhos
Quando não consigo sonhar
Alimento-me dos sonhos
De outrem.

sexta-feira, setembro 21, 2007

Ela balançara no trapézio por horas e horas. O azul colado no corpo reluzia nos pequenos cristais espalhados no picadeiro. Suas pernas enroscadas pareciam tentar abraçar seus apelos, evitando que eles deslizassem sobre sua pele junto com o suor. Sozinha no céu imaginário tentava controlar seus medos, da vida e da morte. Suas mãos que sempre foram firmes, diferente do seu coração, que ora dançava forte, ora desfalecido, se mostraram frágeis, inseguras. Anos de exercícios, para não deixar seu íntimo dominar o espetáculo, esvaíram no trocar de mãos. E seu corpo pareceu flutuar, até deitar no chão e, por um segundo, a face corar.


Roberta Valentim

terça-feira, setembro 18, 2007

quinta-feira, setembro 06, 2007

momentos

Ela passou dias olhando o jardim do vizinho esperando o abrir das flores.
Ele passou dias levando flores no olhar sem ser notado.


Roberta Valentim