quinta-feira, janeiro 10, 2008

minuti'


minuti é o resultado de um projeto idealizado por Roberta Valentim e Evandro Borel de reunir artistas plásticos, designers, ilustradores e diretores de arte para traduzirem o tempo em ilustrações expostas em relógios de parede. O foco é misturar arte e utilidade, transformando um objeto do cotidiano em expressão artística.

Confiram as peças no
http://www.flickr.com/photos/minuti

Em breve o site www.minuti.com.br

contato@minuti.com.br

terça-feira, dezembro 04, 2007

"A minha única salvação é a alegria.”

Água Viva - Clarice Lispector

segunda-feira, novembro 26, 2007

Querovoceassimbempertinhodemim.
Acordou atrasada.
Olhou para o lado,

sorriu
e saiu cantarolando
músicas infantis.


Roberta Valentim

quinta-feira, novembro 01, 2007

Reencontro

Colocara o vestido com leveza de mãos infantis. Caminhou delicadamente sobre o chão frio, tateando o ar para não esbarrar nas esculturas espalhadas pela sala. Procurou o cigarro com mãos tremulas de desejo e o ascendeu escondida nos fundos da casa, para não deixar a fumaça retirar o cheio da paixão que ficara no quarto. Seu homem, assim o sentira, dormia profundamente, após um gozo de vida que beirava a morte, enquanto ela revivia cada cena daquela noite.
Até então, ela nunca conseguira deixar os espasmos entre suas pernas se prolongarem após a cama. Sempre morriam nos lençóis.
Surpreendida pelo seu corpo e desejo, a cada trago tinha a sensação que poderia morrer ali, feliz.
Risos silenciosos saíram pela sua face, invadindo todos os cômodos da casa e se misturando a uma leve vontade de chorar. O choro da [re]descoberta, do despertar, do [re]encontro.
[Re]encontro com a felicidade, que parecia ter sido exilada daquele peito, sem sinal de regresso. Felicidade ao ver sua cama acolhendo o homem desejado. Por saber que poderá dormir e acordar sem a impressão que ele desaparecerá no meio da madrugada, deixando apenas cheiros e desilusões. Felicidade por sentir prazer e não arrependimento após a entrega.
Felicidade em acreditar que aquela noite poderá ser dias. Por está fora da cama e mesmo assim se ver ao lado dele. Felicidade por, mesmo tendo a certeza do futuro incerto, vivenciar o presente sem os medos do passado. Felicidade, ainda maior, por ela. Por ter voltado a sonhar acordada.

Roberta Valentim

quinta-feira, outubro 25, 2007

Saiu sozinha, levando na bolsa seus medos e defeitos.
Bebeu seus medos com gelo, se aquecendo com os defeitos.


Roberta Valentim

terça-feira, outubro 16, 2007

A noite passou levando o que um dia inseguro plantou.
A aurora estampou um sorriso nos olhos dela.
E assim como os dias e noites, ela ora escurece, ora esclarece.
Assim como o crescer, ora é menina, ora é mulher.




Roberta Valentim

quinta-feira, outubro 11, 2007

Lançando a coletânea de haikais, na sexta-feira 12 de outubro às 17h no Stand da Prefeitura do Recife, na Bienal do Livro.


terça-feira, outubro 02, 2007

Cacaso, o poeta.

"Ah!
Ah, se pelo menos o pensamento não sangrasse!

Ah, se pelo menos o coração não tivesse memória!
Como seria menos linda e mais suave minha história"

(Cacaso)

quarta-feira, setembro 26, 2007

um pouco disso, um pouco daquilo.

Delivery.
De Tati Bernardi.

Tati Bernardi é cronista do Blônicas e autora do livro "A mulher que não prestava".
Alimento-me de sonhos
Quando não consigo sonhar
Alimento-me dos sonhos
De outrem.

sexta-feira, setembro 21, 2007

Ela balançara no trapézio por horas e horas. O azul colado no corpo reluzia nos pequenos cristais espalhados no picadeiro. Suas pernas enroscadas pareciam tentar abraçar seus apelos, evitando que eles deslizassem sobre sua pele junto com o suor. Sozinha no céu imaginário tentava controlar seus medos, da vida e da morte. Suas mãos que sempre foram firmes, diferente do seu coração, que ora dançava forte, ora desfalecido, se mostraram frágeis, inseguras. Anos de exercícios, para não deixar seu íntimo dominar o espetáculo, esvaíram no trocar de mãos. E seu corpo pareceu flutuar, até deitar no chão e, por um segundo, a face corar.


Roberta Valentim

terça-feira, setembro 18, 2007

quinta-feira, setembro 06, 2007

momentos

Ela passou dias olhando o jardim do vizinho esperando o abrir das flores.
Ele passou dias levando flores no olhar sem ser notado.


Roberta Valentim

terça-feira, agosto 28, 2007

Na cama vazia
Laços desfeitos
Enrolam os sonhos
Revelia



Roberta Valentim

segunda-feira, agosto 27, 2007

P. Leminski

"Nesta vida, pode-se aprender três coisas de uma criança:
estar sempre alegre,
nunca ficar inativo
e chorar com força por tudo o que se quer."

quinta-feira, agosto 23, 2007

Poemeto

Nua nebulosa
Noite embriagada
Foste o que tinha de ser

por Betita, Ninha, Marcio e Elis Regina

terça-feira, agosto 14, 2007

Ventura

Dentro do ônibus ela observara a chuva lavar as janelas empoeiradas e molhar os pés, vestidos de chinelos e sofrimento, das pessoas daquele vilarejo. Cada solavanco na estrada velha e cindida a remetia aos seus dias e noites intermináveis de vazio, buracos. Assustadoramente, o lugar em que iria passar seis meses da sua vida se mostrou, naquele momento, um retrato do seu presente. Frio, molhado, triste, desfigurado.
Com o peito repleto de angústia e solidão colocou seus pés, semelhantes e tão distintos das outras pessoas, na pequena Ventura.
A chuva parecia não ter fim, causando um estranhamento na moça da cidade. Pois, como poderia chover tanto no sertão do Pajeú? Sem procurar compreender o que a natureza revelava, desceu pelas ruas encharcadas se deixando molhar sem ressalvas pela água inesperada. Caminhara trinta minutos sem pensar um segundo o que seria dos seus dias, da sua vida dali para frente.
Ao chegar ao quarto que seria sua morada, sentira algo que há tempos não experimentava. Inexplicavelmente, o nó que se tornou parte do seu peito havia se desfeito. Com as mãos tremulas, por não entender o que acontecera, acendera um cigarro e o prazer do trago voltou como no passado. Um, dois, três cigarros não foram o bastante para que a jovem percebesse o que acabara de acontecer.
Sentada ao pé da janela, com as faces coradas pelas revelações que se pronunciavam, chorou.
Eram lágrimas doces que deslizaram até seus lábios ressecados, como se o amargo do seu ser tivesse sido banido, lavado pela chuva. O sal da lágrima, que sempre criava uma gota branca na beira dos seus olhos, não apareceu. O gosto era suave e a sensação de tranqüilidade sinalizava um adeus ao seu sofrer.
As lágrimas não cessavam, acompanhadas de risos, soluços e reflexões. Assim como a chuva inusitada na terra seca, ingrata, o choro descontrolado anunciava, gritava a boa nova. Ventura!

Felicidade assim se faz, em qualquer lugar, basta deixar escorrer o que te faz padecer.

Roberta Valentim

terça-feira, agosto 07, 2007

quarta-feira, agosto 01, 2007

Você não ver
Que o corpo cansa
E a dor estanca.

Você não sente
Que meus dias não mentem
E que as noites são quentes.

Se não diz
Não sente
Por favor, não invente.

Assim vou me prender
Perder
E me arrepender.

Fica!
Não vai.
Mas, se não for pra ficar,
Sai.


Roberta Valentim