Até então, ela nunca conseguira deixar os espasmos entre suas pernas se prolongarem após a cama. Sempre morriam nos lençóis.
Surpreendida pelo seu corpo e desejo, a cada trago tinha a sensação que poderia morrer ali, feliz.
Risos silenciosos saíram pela sua face, invadindo todos os cômodos da casa e se misturando a uma leve vontade de chorar. O choro da [re]descoberta, do despertar, do [re]encontro.
[Re]encontro com a felicidade, que parecia ter sido exilada daquele peito, sem sinal de regresso. Felicidade ao ver sua cama acolhendo o homem desejado. Por saber que poderá dormir e acordar sem a impressão que ele desaparecerá no meio da madrugada, deixando apenas cheiros e desilusões. Felicidade por sentir prazer e não arrependimento após a entrega.
Felicidade em acreditar que aquela noite poderá ser dias. Por está fora da cama e mesmo assim se ver ao lado dele. Felicidade por, mesmo tendo a certeza do futuro incerto, vivenciar o presente sem os medos do passado. Felicidade, ainda maior, por ela. Por ter voltado a sonhar acordada.
Roberta Valentim


