terça-feira, agosto 07, 2007
quarta-feira, agosto 01, 2007
sexta-feira, julho 20, 2007
Eles são...
Eles são
braços
pernas
olhos
ouvidos
boca
e
sentimento
amigos
são.
braços
pernas
olhos
ouvidos
boca
e
sentimento
amigos
são.
para vocês que amo tanto
Roberta Valentim
quinta-feira, julho 05, 2007
Quando a espera cansa e as lembranças perduram
Não há nada mais melancólico do que lembranças de amores passados enquanto os futuros não vêm. Lembrar das primeiras falas ao telefone. Daqueles deliciosos joguetes de quem desliga primeiro, de quem ama mais. Da espera da ligação esperada. Da surpresa da inesperada. Das mensagens que tiram sorrisos. Dos sorrisos que exalam verdade. Lembranças da saudade por causa de um mísero dia distante. Da angustia da incerteza do amor. Ah, essa incerteza! Como ela é bem-vinda quando se tem certeza por não existir amor. Lembrança do anoitecer e amanhecer juntos. Do café na cama. Do cheiro na roupa. Das brigas dolorosas. Das pazes saborosas. Lembrança do constrangimento ao conhecer a família do rapaz ou da mocinha. Lembrança do cuidado das enfermidades. Das horas ao lado perguntando se está doendo. Lembrança das saídas com os amigos. Das ligações na madrugada mascaradas de saudade. Lembranças das horas perdidas no espelho para escutar elogios. Das horas preparando um jantar. Com ou sem velas. Com ou sem vinhos. Lembrança dos jantares e das sobremesas. Da pressa por chegar, por vezes vencida nas escadas, carros e salas. Lembranças das lágrimas engendradas. Do fim. Lembrança do passado. Do quanto é bom ter passado. Se amores fossem como filhos, faríamos como Vinícius: “Filhos... Filhos? Melhor não tê-los! Mas se não os temos. Como sabê-lo?...Que coisa louca. Que coisa linda. Que os filhos são!”
Roberta Valentim
segunda-feira, junho 18, 2007
segunda-feira, junho 04, 2007
Maria e João
João tinha 45 anos. Maria apenas 26.
Ele possuia um amor intenso. Ela não queria ser sua posse.
João pensanva ser um marido perfeito. Maria não suportava seus apelos.
Ele a vigiava noite e dia. Ela não mais o temia.
João morria de ciúmes. Maria acreditava no cônjuge.
Ele perdia a cabeça. Ela não baixava a guarda.
João a esperava contando as horas. Maria perdia o tempo.
Ele a queria só para ele. Ela a queria para ele e para ela.
João não aceitava a juventude. Maria não olhava as rugas.
Ele não saia com ela. Ela não deixa de ir.
João não a fazia feliz. Maria continuava a investir.
Ele se sentia culpado. Ela não parava de rir.
Roberta Valentim
(inspirado na música Mil Perdões de Chico Buarque)
terça-feira, maio 29, 2007
Cada Lugar Na Sua Coisa
(Sérgio Sampaio)
Um livro de poesia na gaveta não adianta nada
Lugar de poesia na calçada
Lugar de quadro é na exposição
Lugar de música é no rádio
Ator se vê no palco e na televisão
O peixe é no mar
Lugar de samba enredo é no asfalto
Lugar de samba enredo é no asfalto
Aonde vai o pé arrasta o salto,
Lugar de samba enredo é no asfato
Aonde a pé vai se gasta a sola
Lugar de samba enredo é na escola
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9rgio_Sampaio
(Sérgio Sampaio)
Um livro de poesia na gaveta não adianta nada
Lugar de poesia na calçada
Lugar de quadro é na exposição
Lugar de música é no rádio
Ator se vê no palco e na televisão
O peixe é no mar
Lugar de samba enredo é no asfalto
Lugar de samba enredo é no asfalto
Aonde vai o pé arrasta o salto,
Lugar de samba enredo é no asfato
Aonde a pé vai se gasta a sola
Lugar de samba enredo é na escola
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9rgio_Sampaio
quinta-feira, maio 24, 2007
" De tanto não poder dizer,
Meus olhos deram de falar.
Só falta você ouvir."
"ainda me viro
e me vejo
pronta a te chamar
a te contar
que aprendi hoje
coisas que você soube
ainda te vejo
em cada bicho
em cada pensamento
me surpreendo olhando
com teus olhos de pesquisa
e o que vejo
vira beleza
ainda te sinto
em tudo que permanece
como se tua pressa
de vida que se extingue
ficasse um pouco em tudo
ainda"
(livro Pelos Pêlos)
que importa o sentido se tudo vibra?
(livro Paixão Xama Paixão)
Poemas de Alice Ruiz
Meus olhos deram de falar.
Só falta você ouvir."
"ainda me viro
e me vejo
pronta a te chamar
a te contar
que aprendi hoje
coisas que você soube
ainda te vejo
em cada bicho
em cada pensamento
me surpreendo olhando
com teus olhos de pesquisa
e o que vejo
vira beleza
ainda te sinto
em tudo que permanece
como se tua pressa
de vida que se extingue
ficasse um pouco em tudo
ainda"
(livro Pelos Pêlos)
que importa o sentido se tudo vibra?
(livro Paixão Xama Paixão)
Poemas de Alice Ruiz
terça-feira, maio 08, 2007
As faces se juntaram
As línguas deslizaram pelos corpos
Pela alma
O gosto deixado na boca e na carne
Era o desejo pedindo ao amor
Um pouco de espaço
Para voltar sem cansaço
Ao lar tão prezado
E ao acordar
Ficou sem saber
Por um minuto que seja
Se era sonho
Ou se ali ao lado
Dormia o amado.
As línguas deslizaram pelos corpos
Pela alma
O gosto deixado na boca e na carne
Era o desejo pedindo ao amor
Um pouco de espaço
Para voltar sem cansaço
Ao lar tão prezado
E ao acordar
Ficou sem saber
Por um minuto que seja
Se era sonho
Ou se ali ao lado
Dormia o amado.
Roberta Valentim
sexta-feira, maio 04, 2007
a profundidade de Lispector
O NASCIMENTO DO PRAZER
(Clarice Lispector)
"O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida - e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom - como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar inundar pela alegria aos poucos - pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido. Pois o prazer não é de se brincar com ele. Ele é nós."
(Clarice Lispector)
"O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida - e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom - como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar inundar pela alegria aos poucos - pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido. Pois o prazer não é de se brincar com ele. Ele é nós."
segunda-feira, abril 23, 2007
Carioca
"...
Mais que na lua ou no cometa
Ou na constelação
O sangue impresso na gazeta
Tem mais inspiração
No bucho do analfabeto
Letras de macarrão
Letras de macarrão
Fazem poema concreto
..."
A bela e a fera
Edu Lobo e Chico Buarque
Emoções singulares
Diversos olhares
Um desejado
Todos ovacionados
Alegria compartilhada
Canções consagradas
Noite feliz
Um clique
Sem cheese
Mais que na lua ou no cometa
Ou na constelação
O sangue impresso na gazeta
Tem mais inspiração
No bucho do analfabeto
Letras de macarrão
Letras de macarrão
Fazem poema concreto
..."
A bela e a fera
Edu Lobo e Chico Buarque
Emoções singulares
Diversos olhares
Um desejado
Todos ovacionados
Alegria compartilhada
Canções consagradas
Noite feliz
Um clique
Sem cheese
quarta-feira, abril 18, 2007
A areia estava fria. Seus pés conseguiam, inexplicavelmente, sentir cada grão do enorme tapete pálido iluminado pelos últimos raios antes do deitar do sol. Suas mãos seguravam sandálias de couro e o resto de esperança do seu ser.
As ondas que vinham acariciar suas pernas brancas pareciam querer levar a frustração e a angústia da vida adulta.
Quando criança as ondas eram bem mais simples. Não tinham o peso da revelação, da transformação íntima. Apenas revelavam os pequeninos buracos dos tatuís que ali residiam...
As ondas que vinham acariciar suas pernas brancas pareciam querer levar a frustração e a angústia da vida adulta.
Quando criança as ondas eram bem mais simples. Não tinham o peso da revelação, da transformação íntima. Apenas revelavam os pequeninos buracos dos tatuís que ali residiam...
quinta-feira, abril 12, 2007
terça-feira, março 27, 2007
sexta-feira, março 02, 2007
É Ele. O Leminski.
Profissão de febre
(La vie en close)
quando chove,
eu chovo,
faz sol,
eu faço,
de noite,
anoiteço,
tem deus,
eu rezo,
não tem,
esqueço,
chove de novo,
de novo, chovo,
assobio no vento,
daqui me vejo,
lá vou eu,
gesto no movimento.
...
Sem Budismo
(Distraídos venceremos)
Poema que é bom
acaba zero a zero.
Acaba com.
Não como eu quero.
Começa sem.
Com, digamos, certo verso,
veneno de letra,
bolero, Ou menos.
Tira daqui, bota dali,
um lugar, não caminho.
Prossegue de si.
Seguro morreu de velho,
e sozinho.
...
eu ontem tive a impressão
que deus quis falar comigo
não lhe dei ouvidos
quem sou eu pra falar com deus?
ele que cuide dos seus assuntos
eu cuido dos meus
(Distraídos venceremos)
Poemas de Paulo Leminski dos livros La vie en close e Distraídos venceremos.
(La vie en close)
quando chove,
eu chovo,
faz sol,
eu faço,
de noite,
anoiteço,
tem deus,
eu rezo,
não tem,
esqueço,
chove de novo,
de novo, chovo,
assobio no vento,
daqui me vejo,
lá vou eu,
gesto no movimento.
...
Sem Budismo
(Distraídos venceremos)
Poema que é bom
acaba zero a zero.
Acaba com.
Não como eu quero.
Começa sem.
Com, digamos, certo verso,
veneno de letra,
bolero, Ou menos.
Tira daqui, bota dali,
um lugar, não caminho.
Prossegue de si.
Seguro morreu de velho,
e sozinho.
...
eu ontem tive a impressão
que deus quis falar comigo
não lhe dei ouvidos
quem sou eu pra falar com deus?
ele que cuide dos seus assuntos
eu cuido dos meus
(Distraídos venceremos)
Poemas de Paulo Leminski dos livros La vie en close e Distraídos venceremos.
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
Milágrimas (Alice Ruiz)
"Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre
Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre"
"Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre
Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre"
terça-feira, fevereiro 06, 2007
segunda-feira, janeiro 08, 2007
férias
Mochila nas costas
Pensamento quilômetros afora
Caderno pequeno no bolso
Vontades que divertem o povo.
Pensamento quilômetros afora
Caderno pequeno no bolso
Vontades que divertem o povo.
Roberta Valentim
(nas férias deixo o virtual por um pedaço de papel)
terça-feira, dezembro 26, 2006
ao próximo, aos próximos.
do passado ao presente
Gosto de revisitar antigas moradas
Cutucando as feridas
Gosto de revirar minhas caixas
Procurando as mais antigas
Gosto de chorar ao som da música
Refrescando os dias quentes
Gosto de ouvir quando me procuras
Aquecendo minhas loucuras
Gosto do passado que me fez
Gosto mais ainda do presente que me refaz.
Gosto de revisitar antigas moradas
Cutucando as feridas
Gosto de revirar minhas caixas
Procurando as mais antigas
Gosto de chorar ao som da música
Refrescando os dias quentes
Gosto de ouvir quando me procuras
Aquecendo minhas loucuras
Gosto do passado que me fez
Gosto mais ainda do presente que me refaz.
Roberta Valentim
terça-feira, dezembro 19, 2006
Perfil
Estatura mediana. Olhos castanhos. Fios negros abaixo dos ombros e um ligeiro rosado artificial sobre a pele clara. Uma beleza comum, porém fascinante. Possuidora de mãos talentosas e de uma sensibilidade excitante. Encantava a todos com seus expressivos quadros de aquarela.
Há tempos vivendo sozinha e submersa no seu trabalho, aprendeu a sentir seu corpo e a passear pelo interior, fato este a atormentava, pois a remetia ao passado.
Hoje ela já consegue reinventar os acontecimentos de outrora e transformar o seu presente em arte. A aparente fragilidade do físico magro e indefeso esconde a vitalidade e os mistérios que existe por trás dessa jovem artista.
Passou anos vivendo intensamente cada minuto dos seus dias, mas por vezes era tomada pelas instabilidades humanas. Guardava em si uma tristeza profunda, uma busca incessante por uma felicidade irreal. De um ano para cá, começou a revelar seu lado vivo apenas nas telas, deixando para o real uma calmaria exacerbada.
No entanto, essa suposta calma era freqüentemente atropelada por seus pensamentos desejantes e instintivos. A jovem pintora era a personificação da contradição, da antítese. Entre o sim e o não, entre o dito e o não-dito, ela seguia seus dias escorregando e se agarrando no seu eu irrevelável.
(Perfil da personagem Luci de um conto não publicado)
Há tempos vivendo sozinha e submersa no seu trabalho, aprendeu a sentir seu corpo e a passear pelo interior, fato este a atormentava, pois a remetia ao passado.
Hoje ela já consegue reinventar os acontecimentos de outrora e transformar o seu presente em arte. A aparente fragilidade do físico magro e indefeso esconde a vitalidade e os mistérios que existe por trás dessa jovem artista.
Passou anos vivendo intensamente cada minuto dos seus dias, mas por vezes era tomada pelas instabilidades humanas. Guardava em si uma tristeza profunda, uma busca incessante por uma felicidade irreal. De um ano para cá, começou a revelar seu lado vivo apenas nas telas, deixando para o real uma calmaria exacerbada.
No entanto, essa suposta calma era freqüentemente atropelada por seus pensamentos desejantes e instintivos. A jovem pintora era a personificação da contradição, da antítese. Entre o sim e o não, entre o dito e o não-dito, ela seguia seus dias escorregando e se agarrando no seu eu irrevelável.
(Perfil da personagem Luci de um conto não publicado)
Roberta Valentim
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